sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

‘Teoria das forças produtivas’ é a base do revisionismo do pecedobê



Por Fausto Arruda 


A sigla revisionista pecedobê realizou seu 14º Congresso nos dias 17 a 19 de novembro. O desfile de falsificações e tráfico com a luta proletária e popular dos brasileiros e demais povos se assentou na surrada e embolorada “teoria das forças produtivas”, tantas vezes refutada pelos revolucionários mais consequentes no interior do Movimento Comunista Internacional.




                                                                                                 Charge: Wilmarx


Para tentar engabelar o povo, em sua contrapropaganda eleitoreira o pecedobê adotou o lema “por uma nova independência do Brasil”. Já para o consumo interno de seus militantes, o engodo escolhido foi “Uma nova luta pelo socialismo”. Esse foi o título e conceito trabalhado pelo calejado revisionista, ex-presidente da sigla e atual presidente do Instituto Maurício Grabois, Renato Rabelo.

Ali é despejado um chorume dedicado a demonstrar que a luta pelo socialismo, hoje, longe de passar pela revolução, tem na China imperialista sua vanguarda mundial, mas somente “a partir de 1978”, nas palavras de Rabelo. E o que significa essa data? Foi exatamente quando a restauração capitalista ganhou políticas de Estado intituladas de “reformas”, destinadas a transferir toda economia socialista, então nas mãos do proletariado, para o domínio de uma burguesia ávida, que já havia tomado o Estado através de um golpe após a morte do Presidente Mao Tsetung, o fim da Grande Revolução Cultural Proletária e a prisão dos camaradas mais próximos dele e defensores de sua linha revolucionária. Ou seja, para o pecedobê a destruição do socialismo é o que há de mais avançado no socialismo atualmente. Por tabela, também louva o aprofundamento da condição semicolonial de Vietnã e Cuba.

Tal absurdo se ampara em pretensos “dilemas estruturais” das sociedades socialistas, recorrendo a uma interpretação revisionista da obra de Marx para justificar “a centralidade do desenvolvimento das forças produtivas nas experiências socialistas”. Seguem trechos do discurso de Rabelo:

 “A revolução proletária soviética no século 20 teve que se desenvolver e se consolidar em circunstâncias históricas concretas excepcionais e singulares, das quais resultaram dilemas estruturais, que exigiram soluções históricas inovadoras e heroicas.” (...).

“Esses dilemas estruturais, decisivos para a edificação das sociedades socialistas têm hoje, nas experiências chinesa (desde 1978), vietnamita (desde 1986) e, mais adiante, a cubana (desde 2011), alternativas próprias que vêm conseguindo superar os impasses estruturais e dar materialidade ao socialismo na atual quadra histórica.” (...).

“A República Popular da China foi quem deu os primeiros passos para configuração à transição ao socialismo na época atual, a partir da alternativa consagrada de ‘Reforma e Abertura’, depois de trinta anos de busca e de alternativa. O Vietnã seguiu a alternativa intitulada de ‘Renovação’ que abriu caminho para seu impetuoso desenvolvimento nacional das forças produtivas e avanço e modernização socialistas. E Cuba, mais recentemente, a partir de sistemático debate em toda sociedade traçou os delineamentos da ‘Atualização Socialista’, que imprime novo impulso em sua economia e na sua modernização socialista.”.

“Primeira questão: Quando se volta a Marx, na Crítica ao Programa de Gotha, ele delineia que o socialismo é um extenso período histórico da transição entre o capitalismo e o comunismo, cujo princípio distribuidor da riqueza no socialismo é ‘de cada um segundo as suas capacidades, a cada um segundo o seu trabalho’.” (...)

“Assim, pode transcorrer nessa longa transição, a partir do início, a adoção de formas variadas de propriedade, persistência da economia de mercado, sob orientação do Estado socialista, sendo o trabalho a medida da distribuição da renda e da riqueza. É também de Marx a visão esboçada de que a nova sociedade nasce das ‘entranhas da velha sociedade’.”.

“A segunda questão que enriquece o debate é quando vem à superfície o contexto histórico: O socialismo irrompe desde o início do século 20 em sociedades capitalistas relativamente atrasadas ou pré-capitalistas, impondo às forças dirigentes como tarefa primária criar (desenvolver) a riqueza material e não socializar a riqueza material (in)existente – por isso a centralidade do desenvolvimento das forças produtivas nas experiências socialistas.”.

 Com base nesses argumentos, o calejado revisionista encerra o discurso com o que ele pensa ser uma síntese das principais lutas desenvolvidas “de um modo ou de outro” na direção de “um novo socialismo”. Magicamente, para o pecedobê, as principais lutas percorrem o caminho do cretinismo parlamentar, do eleitoralismo e da filiação a projetos de setores da burguesia burocrática traduzidos como “Projetos Nacionais”, de preferência à reboque da China.

“1) Uma luta em meio ao movimento dos trabalhadores e forças avançadas nos países capitalistas mais desenvolvidos contra o desmantelamento do estado de bem estar social, e a retomada de uma estratégia que desvende o caminho para superação do capitalismo;

2) Uma luta crescente pelo avanço de um Projeto Nacional de desenvolvimento nos países na semiperiferia e periferia do sistema capitalista mundial. O mal-estar gerado pela crise da globalização neoliberal evidenciam a emergência da questão nacional, do anti-imperialismo e das causas populares como tendência da luta dos povos.

3) Uma luta no âmbito mundial cuja vanguarda são os países que se empenham na construção socialista contemporânea, capazes de reduzir a desvantagem e o atraso em relação aos países capitalistas, sendo a China a experiência mais desenvolvida.”.

Por acreditar que a luta contra a podre teoria das forças produtivas é sempre atual, visto que ela sempre ressurge com diferentes disfarces, AND reproduz o texto De Bernstein a Liu Chao-chi, um marco na luta contra o revisionismo publicado durante a Grande Revolução Cultural Proletária, na China.


De Bernstein a Liu Chao-chi


Por KAO JUNG


 A “teoria das forças produtivas” é uma tendência ideológica do revisionismo internacional. Segundo esta “teoria”, a revolução socialista é absolutamente impossível em um país onde o capitalismo não está altamente desenvolvido, onde as forças produtivas não alcançaram um alto nível e a economia rural é dispersa e atrasada. Segundo ela, o socialismo se produzirá naturalmente no caso de se permitir que o capitalismo se desenvolva plenamente primeiro e que as forças produtivas se tenham desenvolvido enormemente.

Há mais de meio século, de Bernstein, Kautsky, Trotsky a Chen Tu-siu e Liu Chao-chi, este punhado de renegados do proletariado quiseram fazer esta teoria absurda passar por materialismo histórico, usando-a como argumento teórico para se opor à revolução proletária.

Não foi por acaso que a “teoria das forças produtivas” tenha surgido no fim do século XIX e princípio do século XX. Então, o capitalismo mundial havia se desenvolvido até sua etapa agônica, ou seja, a etapa do imperialismo, na qual a revolução proletária passou para a ordem do dia. Para satisfazer as necessidades dos imperialistas, os revisionistas de velho tipo da II Internacional - Bernstein, Kautsky e Cia. - espalharam esta falácia com a intenção de se opor e estrangular a revolução proletária a partir do seio do movimento operário.

Bernstein foi o primeiro a apresentar esta falácia em 1899, em seu livro As premissas do socialismo e as tarefas da socialdemocracia. Ele sustentou que o capitalismo poderia entrar pacificamente no socialismo à medida que as forças produtivas sociais se desenvolvessem altamente. Portanto, disse, a revolução pela força armada se converteria em pura fraseologia. Declarou arbitrariamente que a vitória do socialismo só podia depender do progresso geral da sociedade, em especial do aumento das riquezas sociais ou do crescimento das forças produtivas sociais, acompanhados do amadurecimento da classe operária em termos de conhecimentos e moralidade. Concluiu: quanto ao sistema capitalista, não se deve destruí-lo, mas fomentar seu desenvolvimento.

O renegado Kautsky tampouco economizou esforços por preconizar a reacionária “teoria das forças produtivas”. Em seu livro O caminho para o poder, escrito em 1909, alegou que apenas onde o modo capitalista de produção estivesse altamente desenvolvido, existia a possibilidade de transformar, mediante o poder estatal, a propriedade capitalista dos meios de produção em propriedade pública.

Lenin empreendeu repetidas e enérgicas lutas contra a reacionária “teoria das forças produtivas” antes e depois da Revolução Socialista de Outubro. Destacou que a vitória da revolução socialista seria conquistada primeiro na Rússia, o elo débil do mundo capitalista. O triunfo da Revolução de Outubro confirmou plenamente a certeza da brilhante conclusão de Lenin.

Depois da vitória da Revolução de Outubro, Kautsky continuou esgrimindo a desgastada arma da “teoria das forças produtivas”. Tornou-se ainda mais desenfreado ao se opor à Revolução de Outubro e a que o povo soviético seguisse o caminho socialista. Fechando os olhos para a realidade, Kautsky inclusive clamou, em 1930, que a revolução que havia ocorrido na Rússia só podia servir para abrir o caminho para o pleno desenvolvimento do capitalismo, e que, apenas quando o capitalismo estivesse altamente desenvolvido seria possível estabelecer uma sociedade socialista.

Portanto, alegou que os países industrializados da Europa Ocidental precederiam inevitavelmente os países europeu-orientais em sua marcha para o socialismo. Também cacarejou que sem um nível educacional relativamente alto nem uma indústria altamente desenvolvida não era possível em absoluto conseguir e manter uma produção agrícola massiva e, por conseguinte, a coletivização agrícola na União Soviética não era mais que um experimento descabido, que encontraria definitivamente o fracasso. Isto queria dizer que devido ao atraso das forças produtivas, o proletariado russo não podia manter em suas mãos o poder que havia tomado, tendo que deixar que a burguesia o dominasse.


sábado, 9 de dezembro de 2017

Os movimentos sociais e os processos revolucionários na América Latina: Uma crítica aos pós-modernistas




Por Edmilson Costa*

Os anos 90 do século passado e os primeiros dez anos deste século foram marcados por intenso debate entre as forças de esquerda sobre o papel dos movimentos sociais, das minorias, das lutas de gênero e das vanguardas políticas nos processos de transformação econômica, social e política da sociedade. Colocou-se na ordem do dia a discussão sobre novas palavras de ordem, novos agentes políticos e sociais, novas formas de luta, novas concepções sobre a ação prática política.

Esses temas e concepções ocuparam o vazio político nesse período em funções de uma série de fenômenos que ocorreram na década de 80 e 90, como a queda do Muro de Berlim, o colapso da União Soviética e dos países do Leste Europeu, o refluxo do movimento sindical, a redução das lutas operárias nos principais centros capitalistas, a perda de protagonismo dos partidos revolucionários, especialmente dos comunistas,além da ofensiva da ideologia neoliberal em todas as partes do mundo, sob o comando das forças mais reacionárias do capital.

A conjuntura de derrota das forças progressistas favoreceu a todo tipo modismo teórico e fetiche ideológico. Sob diversos pretextos, certas forças políticas, inclusive alguns companheiros de esquerda, começaram a questionar a centralidade do trabalho na vida social, o papel dos partidos políticos como vanguarda dos processos de transformações sociais e políticas, a atualidade da luta de classes como instrumento de mudança da história e o próprio socialismo-comunismo como processo que leva à emancipação humana.

Esse movimento teórico e político envolveu forças difusas, mas influentes junto à juventude e vários movimentos sociais. O objetivo era desconstruir o discurso dos partidos políticos revolucionários, do movimento sindical e do próprio marxismo, como síntese teórica da revolução. Para estas forças, os discursos de temas abrangentes, como a igualdade, o socialismo, a emancipação humana, os valores históricos do proletariado, as soluções coletivas contra a opressão humana, eram coisa do passado e produto de um mundo que já existia mais.

No lugar desses velhos temas, tornava-se necessário colocar um novo discurso, como forma de forma a reconhecer a fragmentação da realidade e do conhecimento, a constatação da diferença, a emergências de novos sujeitos sociais, com características, valores e reivindicações específicas, como os movimentos sociais, de gênero, raça, etnia, etc, e novas formas de formas de luta, inclusive com renúncia à tomada do poder.

O condensamento desse ecletismo conservador, dessa matriz teórica diluidora, pode ser expresso no que se convencionou chamar de pós-modernismo. Essa é a fonte teórica inspiradora de todos os modismos teóricos e fetiches que se tornou moda as duas últimas décadas. Quais são os principais supostos teóricos dos pós-modernistas, que tanta influência tiveram nesses anos de vazio político? Vamos nos ater a três vertentes fundamentais que norteiam os fundamentos dessa corrente teórica.

1) O fim da centralidade do trabalho. Um dos temas mais destacados pelos pós-modernistas é o fato de que as tecnologias da informação, a reestruturação produtiva e a inserção acelerada de ciência no processo produtivo tornaram obsoleto o conceito de classe operária e proletariado, até mesmo porque esses atores estão se tornando residuais num mundo globalizado onde impera a robótica, a internet e a informática avançada. Alguns desses teóricos chegaram a dar adeus ao proletariado, que seria um conceito típico da segunda revolução industrial. Prova disso, seria a constatação de que a classe operária está diminuindo em todo o mundo e, por isso mesmo, perdeu o protagonismo para outros movimentos emergentes no capitalismo globalizado.

Os teóricos pós-modernistas se comportam como o caçador que vê apenas as árvores mas não consegue enxergar a floresta. Olham o mundo a partir de uma perspectiva da Europa ou Estados Unidos. Por isso, não conseguem compreender que o capital possui uma extraordinária mobilidade, em função da busca permanente por valorização. Por isso, são incapazes de perceber que o proletariado está crescendo de maneira expressiva em termos mundiais, com o deslocamento de milhares de indústrias dos EUA e da Europa para a Ásia, processo que está incorporando ao mundo do trabalho centenas de milhões de trabalhadores na China, na Índia e em toda a Ásia, num movimento que está mudando a conjuntura mundial.

Não conseguem entender que o próprio capitalismo é uma contradição em processo, pois quanto mais se moderniza, quanto mais insere ciência na produção, mais amplia sua composição orgânica e, consequentemente, mais pressiona as taxas de lucro para baixo. Por isso, o capitalismo não pode existir sem seu contraponto, o proletariado. Se o capitalismo automatizasse todas suas fábricas o sistema entraria em colapso, pois os robôs são até mais disciplinados que os seres humanos, são capazes de trabalhar sem descanso, não reivindicam salário, nem fazem greve, mas também tem seu calcanhar de Aquiles: não consomem. Se não tem consumidores, os capitalistas não têm para quem vender suas mercadorias. Ou seja, antes de uma automatização total, o sistema entraria em colapso em função de suas próprias contradições.

2) O fim da centralidade da luta de classes. Outro dos argumentos dos teóricos pós-modernos é a alegação de que a luta de classes é coisa do passado. Afinal, dizem, se o proletariado está se reduzindo aceleradamente, não existe mais identidade de classe e, portanto, não teria sentido se falar em luta de classes. Nessa perspectiva, dizem, a reestruturação produtiva pode ser considerada uma espécie de dobre de finados que veio sepultar os velhos agentes do passado, como o movimento sindical. Prova disso, é que os sindicatos perderam o protagonismo e agora agonizam em todo o mundo. E o principal representante teórico do mundo do trabalho, o marxismo, também estaria ultrapassado, em função de sua visão monolítica do mundo.

Novamente, os teóricos pós-modernistas também não compreendem a história e confundem sua submissão ideológica à ordem capitalista com a realidade dos trabalhadores. A luta de classes sempre existiu desde que as classes se constituíram na humanidade e continuará sua trajetória enquanto existir a exploração de um ser humano por outro. Não porque os marxistas querem, mas porque a realidade a impõe. Nos tempos de refluxo as lutas sociais diminuem, parece que os trabalhadores estão passivos e os capitalistas imaginam que conseguiram disciplinar para sempre os trabalhadores.

Nessa conjuntura, o discurso do fim da luta de classe, da passividade dos trabalhadores, chega a influenciar muita gente, afinal, quem não tem uma perspectiva histórica do mundo se atém apenas à superfície dos fenômenos, à aparência das coisas. Mas nos momentos de crise do capitalismo, esse discurso se torna inteiramente inadequado, entra em choque com a realidade, uma vez que a crise coloca a luta de classes na ordem do dia com uma atualidade extraordinária, para desespero daqueles que imaginavam o seu fim.

Se observarmos a realidade atual, onde o sistema capitalismo enfrenta sua maior crise desde a Grande Depressão, poderemos facilmente constatar e emergência da luta de classes em praticamente todas as partes do mundo. É só observar as insurreições no Oriente Médio, na África, as lutas na América Latina, as greves e mobilizações na Europa. Além disso, a crise também tornou o marxismo mais atual do que nunca. Mesmo os capitalistas estão lendo O Capital para tentar entender o que está ocorrendo no mundo.

3) As vanguardas políticas não têm mais nenhum papel a desempenhar no mundo globalizado. O terceiro dos argumentos-chave dos teóricos pós-modernistas é o fato de os partidos revolucionários, especialmente os comunistas, não têm mais nenhum papel a desempenhar no mundo atual. A ação política agora deve ser comandada pelos movimentos sociais, pelos movimentos de gênero, minorias étnicas, de raças, sexuais, etc, que são vítimas de “opressões específicas”. Isso porque os partidos seriam organizações autoproclamatórias, autoritárias, portadoras de um fetiche autorealizável, que é a revolução socialista.Essas instituições, portadoras de um discurso utópico de emancipação humana, estão também definhando em todo o mundo porque não estariam entendendo a realidade do mundo globalizado.

Mais uma vez os teóricos pós-modernistas não conseguem compreender a totalidade da vida social. Por isso, vêem o mundo sem unidade, fragmentado e disperso. Não entendem que, por trás da “opressão específica” que atinge os movimentos sociais e de gênero, etnia, raça, sexual, está o grande capital apropriando a mais-valia de todos, independentemente de raça, sexo ou orientação religiosa . Não compreendem que os movimentos, por sua própria natureza, têm limites institucionais e de representatividade.

Um sindicato, por mais combativo que seja, deve representar os interesses dos trabalhadores que representa. Da mesma forma que uma entidade estudantil, uma organização de moradores, de mulheres ou de homosexuais tem como objetivo defender os interesses específicos de seus representados, atuam nos limites institucionais da ordem burguesa. Somente o partido político revolucionário, que se propõe a derrotar a ordem capitalista e que junta em suas fileiras todos esses segmentos sociais, possui condições para entender a totalidade da luta política e lançar propostas globais para a transformação da sociedade.

A prática das lutas sociais

Se observarmos as lutas sociais que foram realizadas nos últimos anos, poderemos constatar facilmente que grande parte delas foram derrotadas exatamente porque não existiam vanguardas com capacidade de conduzir e orientar essas lutas para a radicalidade da luta de classes e a emancipação do proletariado. Não se trata aqui de negar a importância das lutas específicas ou dos movimentos sociais. Pelo contrário, são fundamentais para qualquer processo de mudança, servem também como aprendizado da luta dos trabalhadores, mas deixadas por si mesmas, apenas com seu conteúdo espontaneísta, não tem condições de realizaras transformações da sociedade e terminam se esvaziando e sendo derrotadas pelo capital.

O teatro de operações é mais ou menos o seguinte: após um momento de euforia e mobilização os movimentos sociais são capazes de realizar proezas impressionantes, como desacreditar a velha ordem, desafiar as classes dominantes, mas num segundo momento a euforia se esgota em si mesma sem atingir os objetivos por falta de perspectivas. A América Latina é um importante posto de observação para constatarmos essa hipótese, mas também em várias partes do mundo os exemplos são férteis para verificarmos a necessidades de vanguardas políticas.

A Bolívia, por exemplo, foi palco de várias insurreições populares contra governos neoliberais. As massas se sublevaram, foram às ruas aos milhões, derrubaram os governos conservadores, mas o máximo que conseguiram foi eleger um presidente progressista que é fustigado a todo momento pelo capital e não consegue realizar plenamente nem o próprio programa a que se propôs no período das eleições.

No Equador, ocorreram também várias insurreições populares. Em uma delas, os movimentos conquistaram o poder e o entregaram a um militar que depois os traiu e agora é um personagem conservador na política do País. Posteriormente, no bojo de outra insurreição, conseguiram eleger um presidente progressista, mas este não consegue implementar um programa transformador porque o capital não lhe dá trégua. Recentemente quase foi deposto por um setor militar sublevado.

Na Argentina, em função da crise econômica herdada do governo neoliberal de Menem, as massas também se sublevaram aos milhões em várias regiões do País. Em um período curto o País mudou três vezes de presidente. O resultado da sublevação popular foi a eleição de Nestor Kirchner e, posteriormente, de sua companheira, Cristina Kirchner. Nesses anos de poder, os Kirchner também não realizaram nenhuma mudança de fundo. O capitalismo seguiu seu curso como se nada tivesse acontecido.

Mais recentemente, duas grandes insurreições populares derrubaram os governos conservadores da Tunísia, do Egito e do Iêmen. Milhares de pessoas se sublevaram durante vários dias, centenas de pessoas morreram, os ditadores deixaram o poder, mas os movimentos sociais, sem vanguarda política, não conseguiram seus objetivos. Setores da burguesia local encabeçaram a formação de novos governos e os trabalhadores mais uma vez deixaram escapar de suas mãos a revolução.

No Brasil, um grande movimento social, o Movimento dos Sem Terra (MST) enfrentou com bravura os governos neoliberais, tendo como norte a bandeira da reforma agrária. Organizou um movimento original e de massas, com base social em todo o País, especialmente entre a população mais pobre da cidade e do campo. O MST ocupou fazendas dos latifundiários, realizou formação de grande parte dos seus quadros e até mesmo conseguiu construir uma universidade popular para formação permanente dos seus militantes.

No entanto, o desenvolvimento do capitalismo no campo brasileiro e a emergência do agronegócio criaram uma nova conjuntura no campo brasileiro, onde as relações de produção passaram a se dar predominantemente entre capital e trabalho. Essa conjuntura, aliada ao programa de compensação social do governo Lula, o “Bolsas Família”, uma programa de transferência de renda para a população mais pobre, levou o MST a uma encruzilhada.

Ou seja, a realidade mudou radialmente no campo brasileiro, mas a razão de ser do MST era a reforma agrária. Por isso, o movimento, que se tornara um dos símbolos de luta contra o neoliberalismo e, por isso mesmo obteve simpatia mundial, agora está perdendo protagonismo. Os acampamentos do MST foram reduzidos para menos da metade e o movimento vive grandes dificuldades estratégicas. Afinal, se a maioria dos trabalhadores está nas cidades, se o capitalismo hegemonizou as relações de produção no campo e subordinou a pequena agricultura à lógica do capital, torna-se difícil a sobrevivência no longo prazo de um movimento que tem apenas a bandeira da reforma agrária como luta estratégica.

A condensação mais expressiva da teoria movimentista foi o Fórum Social Mundial (FSM). Por ocasião do primeiro FSM, em Porto Alegre, parecia que todos tinham encontrado a fórmula ideal, a varinha mágica,para as novas lutas sociais. Milhares de lutadores de todo o mundo convergiram para o Rio Grande do Sul para se fazer presentes no lançamento da nova grife da luta mundial autônoma. Foi um sucesso extraordinário e um contraponto ao Foro de Davos, onde os capitalistas tramavam novas estratégias para dominação do mundo.

O sucesso de público e de mídia do FSM parecia ter enterrado de vez a noção de vanguarda política. Agora seriam os movimentos sociais, os movimentos de gênero, etnia, das mulheres, os movimentos sociais que doravante comandariam as lutas no mundo. Adeus partidos políticos, adeus movimento sindical, adeus velhos atores sociais da segunda revolução industrial. Agora eram os movimentos difusos, sem centralidade política, inteiramente autônomos, livres de dogmas e ideologias ultrapassadas que iriam provar ao mundo a nova realidade da luta social e política.

Muita gente sinceramente acreditou que o FSM poderia ser a fórmula mágica, o contraponto contemporâneo ao capital, o substituto das velhas vanguardas políticas e seu discurso autoproclamatório. Mas a realidade aos poucos foi colocando no devido lugar o modismo movimentista. Com o tempo, o FSM foi perdendo fôlego, foi se esvaziando, até o ponto em que hoje ninguém mais acredita que possa ser alternativa a coisa nenhuma. Mas uma vez a vida provou que os movimentos por si só não têm condições de mudar a sociedade, é necessário a vanguarda política para conduzir os processos de transformação.

O significado do pós-modernismo e as lutas sociais

Em outras palavras, a ideologia pós-modernista é responsável por grande parte das derrotas dos movimentos sociais nestas duas décadas, não só porque esse modismo teórico influenciou parte da juventude e lideranças dos movimentos sociais, como também porque levou à frustração milhares de lutadores sociais. Isso porque as lutas fragmentadas geralmente se desenvolvem de maneira espontânea. No início tem uma trajetória de ascenso, empolga milhares de pessoas, mas logo depois o movimento vai enfraquecendo até ser absorvido pelo sistema.

Em outras palavras, o pós-modernismo é o fetiche ideológico típico dos tempos de neoliberalismo e representa a ideologia pequeno-burguesa da submissão sofisticada à ordem do capital. Mas essa ideologia carrega consigo uma contradição insolúvel: no momento em que o capital mais se globaliza, com a internacionalização da produção e das finanças, é justamente neste momento que os pós-modernos pregam a fragmentação da realidade, a setorização das lutas sociais, a especificidade dos combates de gênero, etnia, raça, sexo, etc. Só mesmo quem não quer mudar a ordem capitalista pensa desse jeito.

Na verdade, todos que seguem esse ritual teórico, de maneira direta ou indireta, estão abrindo mão de um projeto emancipatório e escondem sua impotência mediante um discurso cheio de abstrações sociológicas, mas muito conveniente para o capital. Por isso, combatem as lutas gerais, para fragmentá-las em lutas específicas, que não afrontam abertamente o sistema dominante.Trata-se do varejo da política fantasiado de moderno.

Esses setores cumpriram, nos últimos 20 anos e ainda cumprem até hoje, um papel muito especial na luta ideológica atual: eles são a mão esquerda do social-liberalismo capitalista. Influenciam as gerações mais jovens, desenvolvem um discurso com aparência de modernidade, influem na organização das lutas sociais. Com seu discurso eclético e fatalista, cheio de senso comum, desorientam setores importantes da sociedade no que se refere à ação política e, na prática, ajudam a organizar, mesmo que indiretamente, a submissão de vários setores sociais à ordem capitalista e aos valores do mercado.

Essas duas décadas de experiências fragmentadas nos levam à conclusão de que, mais do que nunca, as vanguardas revolucionárias têm um papel fundamental no processo de transformações sociais. São elas exatamente que podem conduzir e orientar os vários movimentos sociais com uma plataforma estratégica de emancipação da humanidade, o que significa derrotar o imperialismo e o capitalismo e transitar para a construção da sociedade socialista.


*Edmilson Costa é doutor em Economia pela Unicamp, com pós-doutorado na mesma instituição. É autor, entre outros, de A globalização e o capitalismo contemporâneo e A política salarial no Brasil. Professor universitário, é membro da Comissão Política do Comitê Central do PCB.


sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

História do Socialismo no Brasil (1839 a 2003)



Cronologia do Socialismo no Brasil Século XIX:

1839 - Aparecimento do jornal "O Socialista", no Rio de Janeiro.

1845 - Surgimento em Niterói do jornal "O Socialista da Província do Rio de Janeiro", editado por Manuel Gaspar de Siqueira Rego.

1855 - Publicação no Recife do livro "O Socialismo" de autoria do Gen. José Ignácio de Abreu e Lima.

1878 - Surgem os semanários "O Internacional Socialista" em Salvador, "O Socialista" no Rio de Janeiro e "O Tribuno Socialista" em Pelotas.

1882 - Surgimento do semanário "O Socialista" em Salvador.

1885 - Surgimento do jornal "O Socialista" Paraisópolis, em Minas Gerais.

1889 - Fundado por Silvério Fontes, Sóter de Araujo e Carlos Escobar, o "Círculo Socialista de Santos". Esse grupo elaborou o "Manifesto Socialista ao Povo Brasileiro".

1892 - Realização do 1o. Congresso Socialista Brasileiro, no Rio de Janeiro. - Em São Paulo realizou-se um  outro 1o. Congresso Socialista do Brasil. - Fundado no Rio de Janeiro o Partido Operário Socialista.

1895 - Silvério Fontes, considerado como um dos primeiros marxistas brasileiros, fundou em São Paulo o Centro Socialista de Santos. - Em São Paulo publicou-se o quinzenário "A Questão Social" órgão do Centro Socialista de Santos. - Fundou-se no Rio de Janeiro o Partido Socialista Operário.

1896 - Lançamento em São Paulo, pelo Centro Socialista, do jornal "O Socialista".

1899 - Publicação do "Decálogo dos Anarquistas" no Almanaque de Pernambuco de Júlio Pires Ferreira.

1900 - Aparecimento dos jornais "Avanti" e "La Bataglia", ambos em São Paulo. - No periódico "O Primeiro de Maio" aparecido no Recife neste mesmo ano, um artigo de Flaviano Martins conclui um artigo com a expressão "Proletários de todos os países, uní-vos".

Cronologia do Socialismo no Brasil Século XX

1901- Surgimento do jornal "A Lanterna" em São Paulo.

1902 - Aconteceu em São Paulo de 28/05 a 01/06 o II Congresso Socialista Brasileiro. Entre os 50 delegados presentes, registra-se o nome de Silvério Fontes. Nesse Congresso aprovou-se o Estatuto e o Programa de um novo Partido: o Partido Socialista Brasileiro.

1906 - Criação da Confederação Operária Brasileira de influência anarquista.

1907- Durante as comemorações do 1o. de maio em Recife, no Teatro Santa Isabel, local das comemorações, aparece um grande retrato de Marx. - Publicou-se no Recife o jornal socialista "A Aurora Social".

1908 - Surgimento no Rio de Janeiro do Partido Operário Socialista.

1913 - Realizou-se o 2o. Congresso Operário Brasileiro, sob a liderança anarco-sindicalista. Aconteceu no Rio de Janeiro. Considera-se que foi a partir desse Congresso que diversas associações operárias aderiram ao anarco- sindicalismo.

1915 - Realização do Congresso Anarquista Sul-Americano no Rio de Janeiro, de 18 a 20 de outubro.

1917 - Em várias manifestações operárias (greves, comícios, comemorações do 1o. de maio), ocorridas neste ano, os participantes cantam a Internacional, composta em 1871 para comemorar a Comuna de Paris.

1918 - Criada por Santos Soares a Liga Comunista de Livramento, no Rio Grande do Sul. - São fundados um Partido Comunista do Brasil, no Rio de Janeiro, e um Partido Comunista do Brasil em São Paulo, ambos anarquistas. - Anarquistas do Rio de Janeiro e São Paulo convocam a realização da Primeira Conferência Comunista do Brasil, que acontece nos dias 21 a 23 de junho, para a qual compareceram delegações de Alagoas, Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo. - Astrojildo Pereira, usando o pseudônimo Alex Pavel, publica "A Revolução Russa e a Imprensa". - Fundado no Recife por Antonio Bernardes Canellas o semanário "Tribuna do Povo", órgão da Federação de Resistência das Classes Trabalhadoras de Pernambuco. Seu Diretor foi Cristiano Cordeiro. - Fundada em 1 de novembro a União Maximalista de Porto Alegre, considerada a primeira organização bolchevista no Brasil. Posteriormente passou a ser conhecida como Grupo Comunista de Porto Alegre.

1919 - É publicada a brochura "O Que é Maximismo ou Bolchevismo" da autoria de Hélio Negro e Edgad Leuenroth. É a organizado no Recife por Cristiano Cordeiro e Rodolfo Coutinho o "Círculo de Estudos Marxistas". Em Fortaleza foi lançado o jornal "O Ceará Socialista". Foi fundado o Partido Comunista de São Paulo. No Recife surgiu o semanário "A Hora Social", cujos diretores foram Cristiano Cordeiro, José Barcelos, Antonio Correia e Alcides Rosa. Realizou-se no Rio de Janeiro de 21 a 23 de junho, a I Conferência Comunista do Brasil. Participaram delegados que representaram grupos comunistas do Distrito Federal, Alagoas, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Sul e São Paulo. Essa Conferência foi convocada pelo Secretariado do Partido Comunista do Rio de Janeiro. Foi fundado no Rio de Janeiro em 9 de março o Partido Comunista do Rio de Janeiro. Admitia em suas fileiras anarquistas, socialistas e todos que defendessem "o comunismo social".

1920 - Fundou-se em Salvador o Partido Socialista Baiano, figurando como participantes da Comissão Operária Adriano Marques (metalúrgico), Guilherme Néri (pedreiro), Ângelo Barbosa (estucador), Ildefonso Soares (sapateiro), Cassiano José de Araujo (entalhador), José de Almeida e Ainal Lopes Pinho (marceneiros). - No Rio de Janeiro Afonso Schmidt lança um manifesto que irá constituir neste ano o Grupo Comunista Brasileiro "Zumbí", que se filia ao Grupo Clarté de Paris. - Afonso Schmidt, Evaristo de Moraes, Nicanor do Nascimento, Mauricio de Lacerda, Agripino Nazaré, Everardo Dias e Joaquim Pimenta, participam da fundação do Grupo Clarté no Brasil.

- Ocorreu em abril o Terceiro Congresso Operário Brasileiro de tendência anarquista. Foi nomeada uma Comissão para coordenar o temário das sessões, ficando constituída por Edgard Leuenroth, José Elias da Silva, Alberto Lauro, José Alves Diniz e João da Costa Pimenta. No decorrer das discussões, Deoclécio Fagundes e Teófilo Ferreira, ambos da Liga Operária da Construção Civil de São Paulo, propõem a adesão do Congresso à Internacional Comunista. Se posicionaram contra, Edgard Leuenroth, Astrojildo Pereira e José Elias.

1921- Fundação no dia 7 de novembro do Grupo Comunista no Rio de Janeiro, em reunião no Centro Cosmopolita do Rio de Janeiro. De orientação bolchevista, tinha entre seus objetivos propagar e defender o programa da III Internacional. Entre seus fundadores encontravam-se Astrojildo Pereira, Antonio Branco, Antonio de Carvalho, Antonio Cruz Júnior, Aurélio Durães, Francisco Ferreira, João Valentim Argolo, José Alves Diniz, Luis Peres, Manuel Olgier Lacerda e Sebastião Figueiredo. O Grupo fez publicar a partir do mes de janeiro de 1922 o jornal "Movimento Comunista" que em março, após a fundação do PCB, passou a ser órgão oficial do novo partido.

1922 - Fundado no Recife no dia 1o. de Janeiro em reunião ocorrida na Rua da Concórdia, residência de Cristiano Cordeiro, o Grupo Comunista do Recife. Dessa reunião participaram Cristiano Cordeiro (funcionário público), José Caetano Machado (padeiro), José Francisco de Oliveira (carvoeiro), José Amaro (pedreiro), Pedro Lira (estivador) e Pedro Coutinho (farmacêutico). - Nos dias 25, 26 e 27 de março realizou-se um Congresso na sede da União Operária do Rio de Janeiro, que fora acertado desde fevereiro desse ano por iniciativa do Grupo Comunista de Porto Alegre em contato com o Grupo Comunista do Rio de Janeiro. Outros Grupos Comunistas existentes no país - de Recife, de São Paulo, de Cruzeiro (SP), de Niterói - foram convocados para o Congresso que fundaria o Partido Comunista do Brasil (PCB). Entre os delegados que participaram da fundação do PCB, estavam Astrojildo Pereira, Cristiano Cordeiro, João da Costa Pimenta, José Elias da Silva, Joaquim Barbosa, Luis Peres, Hermogenio Silva, Abílio de Nequette, Manuel Cendon. Da pauta constava a discussão dos seguintes temas: - Exame das 21 condições para admissão na Internacional Comunista, - Estatutos do Partido, Eleição da Comissão Executiva Central, - Medidas em benefício dos flagelados russos do Volga. As 21 condições para adesão à I. C. foram aceitas. A Comissão Executiva Central ficou constituída por Abílio de Nequette, Astrojildo Pereira, Antonio Bernardo Canellas, Luis Peres, Antonio Gomes Cruz Junior; como suplentes foram escolhidos Cristiano Cordeiro, Rodolfo Coutinho, Antonio de Carvalho, Joaquim Barbosa e Manuel Cendon. O Diário Oficial da União de 07.04.1922 publicou o registro e os Estatutos do Partido. O PCB realizou os seguintes Congressos: II (1925), III (1928), IV (1954), V (1960), VI (1967), VII (1984), VIII (1987), IX (1991) e X (1992).

1924 - O Partido Comunista do Brasil (PCB), foi aceito pela I.C. como Seção Brasileira da Terceira Internacional.

1925 - Realizou-se nos dias 16 a 18 de março no Rio de Janeiro o II Congresso do PCB. Participaram 6 membros da Comissão Central Executiva, 5 delegados do Rio de Janeiro e Niterói, 2 delegados de Pernambuco, 2 delegados de Santos, 1 delegado da cidade de São Paulo, 1 delegado da cidade de Cubatão. - Foi fundado no Rio de Janeiro no dia 1o. de maio, o Partido Socialista Brasileiro. No ato de sua fundação foi lançado um Manifesto elaborado por Evaristo de Moraes, no qual reivindicava: - reforma eleitoral, - reconhecimento da União Soviética, - limitação dos lucros, - instituição do salário mínimo, - instrução primária e profissional gratuita, - estatização de todos os serviços de transporte, energia elétrica e minas

1926 - Acontece em 17 de fevereiro o chamado Levante do Recife, sob a liderança do tenente Cleto Campelo. Sua articulação no entanto ocorreu com a participação de membros do Partido Comunista local, entre eles Cristiano Cordeiro, Manuel de Souza Barros, Josias Carneiro Leão, José Caetano Machado, José Francisco de Barros e Sabino Cardoso da Silva, além de vários operários. O movimento foi denunciado, prisões foram efetuadas mas o confronto com as forças policiais ocorreu na capital pernambucana se propagando ao s municípios de Jaboatão, Vitória de Santo e Gravatá. Nos combates faleceram o tenente Cleto Campelo e o padeiro comunista José Francisco de Barros. Embora com várias perdas o movimento continuou sob a liderança do ex-tenente Valdemar de Paula Lima que foi preso e assassinado na prisão. Os demais participantes foram deportados para a Ilha de Fernando de Noronha. Segundo alguns historiadores, o objetivo do Levante era o de juntar-se à Coluna Prestes.

1927 - Tendo sido tema das discussões do II Congresso do PCB realizado em 1925, o PCB cria a "Juventude Comunista", passando a editar o jornal "O Jovem Proletário". Foi criada uma Diretoria Provisória composta por Leôncio Basbaum, Manuel Karick e Francisco Mangabeira. Em agosto do mesmo ano, a Juventude Comunista Brasileira soliciou sua adesão à Internacional Comunista da Juventude com sede em Moscou, o que foi aceito.

1928 - Realizou-se de 29 de dezembro de 1928 até o dia 04 de janeiro de 1929, no Rio de Janeiro, o III Congresso do PCB. Participaram 10 membros da Comissão Central Executiva, 13 delegados de organizações regionais (Pernambuco, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e Distrito Federal) e 2 representantes da Juventude Comunista. No lugar da Comissão Central Executiva, criou-se o Comitê Central, para o qual foram eleitos nesse Congresso Mário Grazini (gráfico), José Casini (metalúrgico), José Caetano Machado (padeiro) e Leôncio Basbaum (intelectual).

1931 - Considerada a primeira organização trotskista do Brasil, foi fundada em São Paulo em 21 de janeiro a Liga Comunista Internacionalista (LCI), com a participação de Mário Pedrosa, Lívio Xavier, Aristides Lobo, Benjamin Peret e Salvador Pintaude. No Rio de Janeiro a Liga foi estruturada em torno de Rodolfo Coutinho, José Neves e Octaviano Du Pin Galvão.

1933 – Eleitos 20 Deputados Socialistas à Assembléia Nacional Constituinte, pelos Partidos Socialistas Estaduais.

1935 - Acontece Levante Comunista em Natal, Recife e Rio de Janeiro, que ficou conhecido como Intentona Comunista, liderada pela tendência comunista e militares nacionalistas da Aliança Nacional Libertadora (ANL), organização que congregava várias tendências políticas anti-fascistas (socialistas, comunistas, liberais progressistas), que fora fechada por Vargas. O movimento foi deflagrado no dia 23 de novembro em Natal, no dia 24 em Recife e Olinda e no dia 27 no Rio de Janeiro. Em Natal os rebeldes chegaram a constituir uma Junta Governativa que permaneceu quatro dias no poder. A repressão ao levante ocasionou a prisão de co munistas e perseguições às forças populares de oposição.

1943 - Realizou-se no Rio de Janeiro (serra da Mantiqueira) a IIa. Conferência Nacional do PCB. Ficou conhecida no Partido como a Conferência da Mantiqueira. Nessa Conferência aprovou-se: - a cooperação com as forças armadas aliadas contra a guerra; - o envio de força militar brasileira para ação contra o nazi-fascismo; - intensificação da ação de massas pelo fim do Estado Novo; - libertação e anistia aos presos políticos; - reorganização do movimento sindical. Foi formado o novo Comitê Central do PCB constiuído por 14 membros e 7 suplentes. Luis Carlos Prestes, mesmo preso, foi nomeado Secretário Geral do Partido, mas por esse impedimento assumiu provisoriamente como Secretario Geral, José Medina. Entre os membros do Comitê Central figuraram ainda Arruda Câmara, Mauricio Grabois, Pedro Pomar e Jorge Herlein.

1947 - Foi fundado o Partido Socialista Brasileiro, constituído na II Convenção do Partido da Esquerda Democrática.

1954 - Realizou-se o IV Congresso do PCB nos dias 7 a 11 de novembro. Inicialmente foi convocado para maio de 1947, mas durante as Conferências Estaduais preparatórias para aquele congresso, o PCB foi posto na ilegalidade impossibilitando sua realização na data marcada anteriormente. Nesse Congresso, com base no Manifesto de 1948 e no Manifesto de agosto de 1954, o PCB caracterizou a Revolução Brasileira como democrático-popular, de cunho antiimperialista e antifeudal. - Foi criada pelo PCB, durante a IIa. Conferência Nacional de Lavradores e Trabalhadores Agrícolas, a União dos Lavradores e Trabalhadores Agrícolas do Brasil - ULTAB, organização de camponeses a nível nacional.

1958 - Foi aprovada pelo Comitê Central do PCB a "Declaração de Março" que preconizava a aceitação: - do potencial revolucionário da burguesia nacional; - o caminho pacífico da Revolução Socialista no Brasil. Publicada no jornal Voz Operária de 22 de março, sob o título "Declaração Sobre a Política do PCB", o documento foi redigido por Mário Alves, Giocondo Dias, Alberto Passos Guimarães, Jacob Gorender, Armênio Guedes, Dinarco Reis e Orestes Timbaúba.

1959 - Realizou-se em São Paulo uma Conferência Anarquista Nacional.

1960 - Num clima de semilegalidade, aconteceu em setembro no Rio de Janeiro o V Congresso do PCB. Sob influência das resoluções político-ideológicas do XXo. Congresso do Partido Comunista da União Soviética (PCUS), ratificou-se a linha política aprovada pela "Declaração de Março" de 1958. A Revolução Brasileira era considerada de caráter antiimperialista, antifeudal, nacional e democrática. A linha política adotada nesse congresso, aceitava o potencial revolucionário da burguesia nacional e o caminho pacífico da revolução brasileira.

1961 - Realizou-se a Conferência Nacional Extraordinária do PCB na qual são aprovados os Novos Estatutos bem como a mudança do nome do Partido Comunista do Brasil para Partido Comunista Brasileiro.

1962 - Em fevereiro os membros expulsos do PCB em 1961 em decorrência de divergências surgidas desde o V Congresso do PCB realizam a Conferência Nacional Extraordinária que defendem a continuidade do Partido Comunista do Brasil, passando a ser conhecido como PC do B. Participam dessa Conferência João Amazonas, Maurício Grabois, Cãmara Ferreira, Mário Alves, Jacob Gorender, Miguel Batista e Apolônio de Carvalho.

1965 – O Partido Socialista Brasileiro (PSB), foi extinto pela ditadura militar.

1966 - Em novembro inicia-se um movimento armado em torno do Movimento Nacional Revolucionário (MNR), que objetivando a derrubada da ditadura militar instituída com o golpe de 1964, se organiza na serra do Caparaó, divisa de Minas Gerais com Espírito Santo. Desencadeia-se a Guerrilha do Caparaó. Em março de 1967 a repressão militar põe fim ao movimento.

1967 - Realizou-se em dezembro em São Paulo o VI Congresso do Partido Comunista Brasileiro. Esse  Congresso ratifica a linha política adotada no V Congresso. O VI Congresso estava marcado inicialmente para acontecer em novembro de 1964, tendo o jornal "Novos Rumos", órgão do Partido, publicado em 27 de março daquele ano, as Teses para discussões para o VI Congresso. Com o golpe militar o Congresso foi adiado. Em 1966 as Teses para discussão são reelaboradas pelo Comitê Central, convocando-se novo Congresso para dezembro de 1967.

1968 - Dissidência do PCB, foi organizado o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR).

1971 - Funda-se a Ação Popular Marxista-Leninista (APML) em substituição à Ação Popular (AP). A APML opta pelo marxismo-leninismo como fundamento ideológico para sua prática política revolucionária. Recebe influência do maoísmo.

1972 - Iniciam-se ações da Guerrilha do Araguaia, assumidas pelo PC do B. Atuaram na região Xambioá-Marabá nas selvas do Araguaia. Durou até 1974 como conseqüência das repressões militares aos grupos guerrilheiros.

1978 - Surge em São Paulo o movimento Convergência Socialista, com a proposta da criação de um Partido Socialista equidistante do "socialismo burocrático" e da social-democracia, considerada "reformista".

1979 - É criado o Partido dos Trabalhadores (PT), sob a liderança de Luís Inácio da Silva (Lula), que congregou várias tendências da esquerda brasileira.

1980 - Luís Carlos Prestes lança "Carta aos Comunistas" que reafirma suas divergências com a Direção do PCB, surgidas no seio do Comitê Central ainda quando a Direção Nacional se encontrava no exílio. Criado em maio o Partido Democrático Trabalhista (PDT), liderado por Leonel Brizola. O PDT atualmente é membro da Internacional Socialista.

1982 - Frustrada a realização do VII Congresso do PCB, uma vez que no dia de sua abertura (13.12.82), todos os participantes do Encontro foram presos pelas forças repressivas do governo militar.

1983 - Realização do VI Congresso do PC do B

1984 - Realiza-se o VII Congresso do PCB.

1985 – Reorganização do Partido Socialista Brasileiro (PSB) através de manifesto encabeçado por antigos fundadores da Esquerda Democrática.

1987 - São realizadas Conferências Municipais e Estaduais do PCB em todo o país, preparatórias para o VIII Congresso do Partido. Em julho realiza-se em Brasília, o VIII Congresso do PCB.

1988 - Realização do VII Congresso do PC do B

1989 - O Partido Democrático Trabalhista (PDT) foi aceito como membro da Internacional Socialista no Congresso de Estocolmo.

1990 - Em São Paulo nos dias 2, 3 e 4 de fevereiro realiza-se a Reunião da Direção Nacional do PCB. Da pauta para discussões constavam os seguintes pontos: - as mudanças em curso nos países socialistas; - a posição do PCB frente ao governo Collor; - a renovação do PCB; - abertura das discussões para o IX Congresso do Partido e prazo para sua realização.

1991 - Realiza-se o IX Congresso do PCB.

1992 - Realizou-se em São Paulo nos dias 25 e 26 de janeiro, o X Congresso do PCB. A maioria dos Congressistas ao X Congresso do PCB, optou pela formação do Partido Popular Socialista (PPS), autodenominando-se sucessor do Partido Comunista Brasileiro. - Realiza-se em São Paulo no Colégio Roosevelt a Conferência Nacional de Reorganização do PCB, cujos militantes se opondo à extinção do Partido, aprovaram a manutenção do mesmo nome, da mesma sigla e do mesmo símbolo. - Realização do VIII Congresso do PC do B

1997 - Realização do IX Congresso do PC do B

Cronologia do Socialismo no Brasil Século XXI

2003 - Realizou-se no mês de outubro em São Paulo, o XXII Congresso da Internacional Socialista. Nos dias 3 a 07 de novembro, realizou-se no Centro de Estudos Marxistas (CEMARX) do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp - São Paulo, o 3º Colóquio Marx e Engels. O tema geral deste Colóquio: "Condições para a reorganização do movimento socialista internacional". Entre outros, participaram do Colóquio Gérard Duménil (Universidade Paris VIII), Reinaldo Carcanholo (UFES), Jorge Miglioli (UNESP). Décio Saes (UNESP), Dermeval Saviani (UNICAMP), Francisco de Oliveira (USP), Marcos Del Roio (UNESP), Antonio Rago (PUC-SP), Héctor Benoit (UNICAMP) e Joao Quartim de Moraes (UNICAMP).


FONTE: Fundação João Mangabeira

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

A Revolução Socialista de Outubro iniciou uma nova era para a humanidade




Discurso de José Ramón Machado Ventura, segundo secretário do Comitê Central do Partido e vice-Presidente dos Conselhos de Estado e Ministros, no ato político-cultural pelo ensejo do Centenário da Grande Revolução Socialista de outubro, realizado no Teatro Karl Marx, Havana, em 7 de novembro de 2017:

Companheiro general-de-exército Raúl Castro Ruz, primeiro secretário do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba



Companheiras e companheiros:

Somos convocados para comemorar um dos eventos mais transcendentais do século XX: a Grande Revolução Socialista de Outubro, com a qual uma nova era para a humanidade começou.

Atualmente, em alguns meios de comunicação, há uma tendência para diminuir a importância da Revolução que levou à fundação do primeiro estado socialista no mundo e abriu um caminho de esperança, dando lugar a um novo regime social que mostraria que um mundo era possível, sem exploradores ou explorados. Tenta-se diminuir e até mesmo ignorar o papel desempenhado por seu eminente líder, Vladimir Ilyich Lenin.

Quando se referiu a Lenin, o Comandante-em-chefe Fidel Castro Ruz disse: «Ele foi um brilhante estrategista revolucionário que não hesitou em aceitar as ideias de Marx e realizá-las em um país imenso e apenas parcialmente industrializado… Lenin foi um homem verdadeiramente excepcional, um profissional, capaz de interpretar toda a profundidade, essência e valor da teoria marxista», fim da citação.

Teve o mérito de tirar proveito de um momento de crise do imperialismo, provocado por sua própria guerra e o crescimento do movimento trabalhista na Rússia czarista, para realizar a revolução socialista. Lenin era um homem que achava incompreensão em seu próprio ambiente, mas, ao mesmo tempo teve, como ninguém, naquele momento, a maior compreensão dos humildes, dos trabalhadores conscientes de que a tomada do poder político era o único meio de levá-los à sua emancipação .

Foi, precisamente, a liderança brilhante de Lenin a que propiciou aquela grande revolução, depois da qual ocorreram mudanças transcendentes para os oprimidos deste mundo.

Cem anos depois não é possível negar o imenso contributo e legado da Revolução bolchevique, que deu passagem a outras grandes revoluções sociais do século XX, surgidas alguns anos após a vitória contra o fascismo, como a da China, a vietnamita e a cubana.

Os acontecimentos ocorridos em outubro, a implementação da teoria marxista nas condições específicas desse momento, demonstraram a relevância da revolução social mundial, para a qual, segundo Lenin, a russa era apenas o prólogo ou um patamar.

O processo de descolonização não teria sido possível sem a enorme influência da Revolução de Outubro, na medida em que contribuiu decisivamente para o fato de que o direito dos povos à autodeterminação e à independência se tornasse uma realidade em muitos países do mundo.

Um contributo inegável desta grande façanha foi o início do processo de estruturação político-econômica de um novo sistema: o socialismo.

A Revolução propiciou a mudança drástica na correlação de forças global, demonstrou que a eliminação da exploração era possível, que existiam outras formas de governo e democracia e que alternativas existiam além das fórmulas oferecidas pelo capitalismo, gerador de guerras e divisões, opressor de povos e nações.

No campo das relações internacionais, esta Revolução inaugurou uma nova maneira de fazer e agir. No Decreto da Paz e na Declaração dos Direitos dos Povos da Rússia, foram registrados os princípios que devem reger as relações entre os Estados e os povos, que ainda são válidos hoje.

A URSS alcançou, em um período historicamente muito curto, o desenvolvimento tecnológico e industrial. Erradicou o analfabetismo, generalizou a escolaridade, atingiu um alto nível científico, assegurou o emprego e a proteção social, eliminou a discriminação contra as mulheres e aumentou seus direitos, bem como a das crianças e dos jovens.

Essas realizações foram obtidas em meio a agressões militares, econômicas e políticas. O Estado socialista nascente tornou realidade os postulados de sua Revolução através do sangue e do fogo e começou a ser construída em um país totalmente arruinado, sangrado e bloqueado, o que exigia esforços não menos duros e heróicos.

Foram muitas as contribuições dos povos que compunham a URSS, mas nenhuma mais significativa do que a derrota do fascismo, que merece uma eterna gratidão.

O influxo da Revolução de Outubro e a batalha pelo desenvolvimento multifacetado que se realizou no que era o país imperial mais atrasado de seu tempo, também chegaram à América Latina, onde as ideias da Revolução foram disseminadas e começaram a surgir os partidos comunistas, incluindo Cuba, no meio das condições de uma república intervida primeiramente e neocolonial mais tarde.

Nestes e em outros grupos revolucionários cubanos que enfrentavam a dominação imperialista e seus cúmplices governos estavam presentes, ao lado das ideias de José Martí, as ideias da Revolução de Outubro, as ideias do marxismo-leninismo.

Em 1970, por ocasião da comemoração do centenário do nascimento de Lenin, o líder histórico da Revolução Cubana disse e eu cito: «…Sem a Revolução de Outubro de 1917, Cuba não poderia ter sido constituída como o primeiro país socialista da América Latina». Mais tarde, em 1972, em uma profunda reflexão sobre as raízes da nossa Revolução socialista, ele especificou: «o processo revolucionário de Cuba é a confirmação da extraordinária força das ideias de Karl Marx, Friedrich Engels e Vladimir Ilicht Lenin», fim da citação.

Durante esses 100 anos, mas principalmente depois do desaparecimento do sistema socialista na Europa, muito tem sido escrito e debatido, desde posições ideológicas muito diferentes, sobre essa Revolução. Lamentavelmente, as posições extremas convergem para apontar que suas ideias falharam, com uma marcante distorção de suas causas e consequências, com a intenção de impor um pensamento único destinado a destacar a supremacia do capitalismo acima do socialismo.

A Revolução de Outubro iniciou um processo extraordinariamente complexo, com realizações e fracassos, mas para julgá-lo, devemos levar em conta, em primeiro lugar, as condições históricas em que se desenvolveu, o contexto internacional e as contradições geradas por qualquer processo revolucionário. Foi também a primeira grande tentativa de transformar o mundo, transformar a utopia em realidade.

O imperialismo hoje busca novas alianças e tenta por todos os meios possíveis para sufocar e destruir qualquer tentativa de mudança social.

Neste contexto histórico, podemos afirmar que as ideias que a inspiraram e o socialismo como sistema mantêm força total. Os princípios da igualdade, da solidariedade, do internacionalismo, da justiça social, do direito dos povos à sua autodeterminação, independência e soberania, que foram o sustento da Revolução de outubro, continuarão a ser nossos também.

Viva a Grande Revolução Socialista de Outubro!

Foto: Granma. José Ramón Machado Ventura, em discurso durante evento comemorativo do centenário da Revolução de Outubro, em Havana

http://pt.granma.cu/cuba/2017-11-09/a-grande-revolucao-socialista-de-outubro-iniciou-uma-nova-era-para-a-humanidade


FONTE: Portal PCB